Ori and The Blind Forest

Alguns jogos conseguem a primazia de fazer você jogá-lo sem parar, lembrá-lo enquanto está almoçado ou indo de carro ao trabalho. Outros conseguem algo além, fazendo com que você indique-os aos seus amigos somente pelo fato de acreditar que eles precisam passar por aquela experiência.

Ori and The Blind Forest é um desses jogos que vai além.

Criado pelo Moon Studios, estúdio austríaco fundado em 2010 (um dos fundadores, Thomas Mahler, veio da Blizzard), Ori teve um desenvolvimento peculiar: não existia um local de trabalho específico, os desenvolvedores atuaram remotamente, espalhados pela Austria, Austrália, Israel e Estados Unidos. Isso não afetou a qualidade do produto.

Um ano após o início do desenvolvimento, o jogo chamou a atenção da gigante Microsoft que decidiu aportar recursos para sua produção. O game estava tão bom quem, além aparecer no estande da Microsoft na E3 de 2014, foi o game de abertura daquele ano.

No jogo você controla Ori, uma criatura nascida em uma tempestade na floresta de Nibel. Órfão, ela é adotada por Naru e passam a viver juntos. No entanto, Naru acaba morrendo em um cataclismo que praticamente destruiu Nibel inteira e Ori, sozinha e triste, não tem outra escolha a não ser vagar em busca de algum suporte. Nisso, é dado a ela a missão de restaurar a floresta recuperando luzes que balanceam Nibel: Água, Vento e Fogo. No decorrer da missão, você encontra Kuro, uma antiga coruja gigante que está ligada a essas luzes perdidas (e o cataclismo em Nibel). Isso é explicado em flashbacks durante a história. O enredo foi escrito pelo próprio Thomas Mahler e foi inspirado em histórias clássicas como o Rei Leão, da Disney.

Desde o início você já nota a qualidade artística do jogo.
Desde o início você já nota a qualidade artística do jogo.

Já nos primeiros frames iniciais do jogo, você nota o quanto ele é bonito e bem feito. As cores e as movimentações dos personagens são de uma qualidade artística impressionante. O criador dessa arte, Johannes Figlhuber, junto com Thomas Mahler, também design do jogo, se basearam em Rayman e Metroid para criar a ambientação, utilizando a engine UbiArt Graphics e para a programação, Unity, cravando 60fps em 1080i sem nenhum load durante o jogo.

Mas não só de perfeição artística sobrevive Ori. A jogabilidade e o level design são muito bons. É um jogo 2D de plataforma no estilo Metroidvania, ou seja, há muitos segredos e coisas escondidas que no primeiro momento você até consegue perceber, mas ainda não consegue alcançá-lo, quando em um segundo momento com a habilidade específica, você pode voltar para recuperá-lo.  Possui também duas árvores de habilidades que melhoram como Ori se comporta no jogo e podem ser destravadas através de pontos de experiências . Essas árvores basicamente se dividem em habilidades de ataque e defesa, como ataque mais veloz e duplo, ou melhorar a sua barra de vida e respirar embaixo d’água (sim, você vai querer muito isso).

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Existem dois tipos de ataque, um mais fraco, rápido e ilimitado, e outro mais forte, em área e que gasta um ponto de ataque. Os pontos de ataques são indicados por bolinhas azuis na barra de status e podem ser usadas em outros tipos de ataques ou escaladas. No entanto, há algo bem interessante sobre a jogabilidade: a forma de gravar o seu progresso. O jogador pode escolher a qualquer momento onde quer que o jogo salve e, caso morra, voltar para aquele ponto específico, facilitando o replay de uma parte mais difícil. Só que essa escolha gasta um ponto de ataque, então, há uma decisão entre quando salvar ou quando atacar.

Se já não bastasse ser um ótimo jogo, o pessoal da Moon Studios fez a sacanagem ousadia de elaborar uma das melhores trilhas sonoras, não devendo em nada se comparado a superproduções hollywoodianas. Até lembra um pouco a trilha do filme Avatar de James Cameron. A trilha de Ori ficará na sua mente por um tempo e, ouso dizer, você irá querer colocá-la na sua playlist (ela está disponível gratuitamente no site do compositor Gareth Coker).

Não é à toa que Ori and The Blind Forest foi indicado a 19 prêmios tendo conquistando 7 deles, incluindo Melhor Jogo e relacionados a design, arte e música, além de ter recebido ótimas notas em sites e revistas especializados.

No entanto, o jogo possui um ponto que poderia ser ajustado: a dificuldade dos chefões é bem alta. O resgate das luzes perdidas faz com que o ambiente da fase vire um chefão, por assim dizer, e você precisará escapar daquele local. A dificuldade vem em correr ou pular com precisão milimétrica sem nenhuma save no decorrer do percurso. A chance de você morrer por causa de um inimigo ou espinho colocado propositalmente em um ponto bem específico é muito alta. Em todos os chefões, sem exceção, não passei com menos de 20 tentativas. Quando você finalmente passa, não acredita que conseguiu fazer tudo aquilo, pois foi necessária muita precisão e habilidade. Se você tiver a oportunidade de gravar e assistir novamente, verá uma sequência belíssima.

A dificuldade dos chefes é bem alta, levando a muitas repetições, mas também a saltos e ataques precisos.

Ori and The Blind Forest foi lançado em 2015 para XBox 360, XBox One e PC.

Prós

  • Gameplay.
  • Animações incríveis.
  • Uma das melhores trilhas sonoros dos jogos.

Contras

  • Dificuldade dos chefes.

Avaliação: Jogue Agora!

João Paulo Sossoloti

Cresceu com videogames, prefere MegaDrive ao SNES e acha FFVII um jogo perfeito. Programador web, já rascunhou alguns jogos sem sucesso e gosta de escrever sobre coisas.