Might and Magic: Clash of Heroes

Confesso que tenho uma queda por jogos de RPG em turnos. Além da nostalgia, a estratégia elaborada neste tipo de game me agrada bastante. E no Might and Magic: Clash of Heroes, é basicamente o que você irá encontrar.

A série Might and Magic é bem antiga, com seu primeiro jogo lançado em 1986, e é conhecida pelos amantes de RPG com bons jogos. Em 2003 a marca foi adquirida pela Ubisoft a meros US$ 1.3 milhões. No entanto, o jogo de subtítulo Clash of Heroes foi desenvolvido pela Capybara Games, conhecida por ter desenvolvido o aclamado Superbrothers: Sword & Sworcery.

O jogo é um Puzzle RPG dos mais clássicos. Você não é livre para andar com seu personagem pelo cenário, somente é permitido pular de um ponto específico no chão ao outro. Isso faz você percorrer todo o cenário no fluxo definido pela história, entrando em castelos, cavernas, arvores ou uma estalagem. No decorrer da sua caminhada, aleatoriamente, aparecem inimigos que devem ser combatidos ou que podem ser  ignorados, neste caso, sem ganho ou prejuízo de XP. Essa limitação de movimentação faz o jogo ter o seu charme, mas torna bem simples a tarefa de encontrar coisas escondidas pelo cenário.

A interação pelo cenário é feito por meio de pontos específicos no mapa.
A interação pelo cenário é feito por meio de pontos específicos no mapa.

O fluxo da história do jogo é simples: há um inimigo comum entre várias facções e você vai avançando com um personagem de cada facção com a finalidade de encontrar e lutar com o inimigo. A cada final de facção, o cenário e formato das batalhas mudam, com a história avançando um pouco de cada vez.

O jogo brilha mesmo nas batalhas. A estratégia e diversão faz com que você queira evoluir e avançar no jogo para ver os demais desafios e as técnicas de cada facção. A ideia é parecida como um jogo de tabuleiros, mas com os personagens vivos em cima do mapa, onde você e o inimigo duelam em turnos sobre as suas escolhas. Há algumas regras iniciais que são ensinadas no inicio do jogo:

  • Você pode enfileirar personagens iguais, seja na horizontal ou vertical, mas limitado a até 3 personagem. Ao enfileirar, eles viram uma única unidade agrupada.
  • Esse agrupamento indica se você pode atacar ou defender, onde caso enfileire na vertical, é um grupo de ataque, e caso na horizontal, eles se transformam em muros ou barreiras.
  • Há um limite de soldados seus agrupados no mapa.

Através dessas regras básicas, o jogo torna-se mais complexo, onde há personagens aleatórios especiais com ataques ou defesas muito mais fortes, mas que precisam de mais soltados enfileirados, e na mesma cor que ele. O jogo se transforma em escolhas entre quando você deve enfileirar para atacar ou quando deve defender um ataque inimigo. Uma escolha errada no seu turno pode fazer você perder vida muito fácil ou atacar erradamente uma barreira inimiga.

Ao enfileirar as suas unidades, agrupa-se para efetuar um ataque ou defesa.
Ao enfileirar as suas unidades, agrupa-se para efetuar um ataque ou defesa.

A sua vida se dá por uma barreira traçada atrás da sua tropa no tabuleiro. Quando um inimigo acerta essa linha, você perde uma certa quantidade de vida que depende do tipo e do poder de ataque do inimigo. A cada ataque do inimigo na sua linha de vida, a barra do seu ataque especial enche. Ao completa-la, você pode gastar um turno efetuando o ataque especial que eventualmente pode mudar o ritmo da batalha, seja para defesa ou ataque.

No modo história, durante as passagens entre as facções, há uma dificuldade inicial para você adaptar com as habilidades e as suas escolhas de estratégias com aquela facção. Mas depois que pega o jeito, as batalhas passam a ser rápidas e um tanto quanto repetitivas. O jogo tenta balancear colocando, de tempos em tempos, chefes que modificam totalmente as dinâmicas das batalhas. Por exemplo, há um chefe que pula entre os espaços do tabuleiro e o ataque pode errar completamente o alvo.  Já outro possui uma habilidade que, após um determinado número de turnos, irá te matar com apenas um golpe, forçando você a fazer o possível para atacá-lo antes desse tempo.

Mesmo com essas mecânicas diferenciadas e com a existência de 5 facções (Haven, Inferno, Sylvan, Academia e Necroplis) há momentos em que as batalhas acabam se tornando um pouco repetitivas. Contudo o gameplay das batalhas é bem divertido. É um jogo casual que pode ser jogado aos poucos. Você se diverte e não enjoa.

Might and Magic: Clash of Heroes foi lançado em 2009 para NintendoDS. Em 2011 relançado em alta definição para PS3, Xbox 360 e no Steam. Já em 2013 foi portado para Android e iOS.

 

Prós

  • Animações muito boas.
  • Desafio nas batalhas.
  • Disponível para várias as plataformas.

Contras

  • Roteiro fraco.
  • Gameplay se torna repetitivo.
  • Muitas facções. Poderia ser um jogo menor.

Avaliação: Pode Esperar um Pouco.

 

João Paulo Sossoloti

Cresceu com videogames, prefere MegaDrive ao SNES e acha FFVII um jogo perfeito. Programador web, já rascunhou alguns jogos sem sucesso e gosta de escrever sobre coisas.