Gemini : Heroes Reborn

Jogos que brincam com o tempo permitindo manipulá-lo ou, ao menos, observá-lo de forma diferente existem aos montes. Mas que tal poder visitar livremente tempos diferentes, com anos de distância, do mesmo espaço? Essa é a excelente premissa de Gemini: Heroes Reborn.

Lançado em janeiro de 2016 pela Imperative Entertainment e produzido pela Phosphor Games para a NBC em uma ação publicitária para o seriado Horoes Reborn, Gemini: Heroes Reborn conta em primeira pessoa a história de Cassandra, uma mulher com amnésia que busca informações sobre a sua família. No percurso descobre ser uma “Evo”, pessoa com super poderes, com a capacidade de controle do tempo e telecinésia.

Mais especificamente, Cassandra pode movimentar e arremessar objetos (e inimigos) a distância, deixar tudo a sua volta em slow motion, capturar projéteis e devolvê-los e, principalmente, observar e teleportar-se para outra linha do tempo. Há barras de energia para o controle do tempo e para a telecinésia, mas basta parar de usar os poderes para recuperá-las. Essa é a principal mecânica do jogo. Assim, o jogador deverá explorar o mesmo ambiente de uma base secreta em dois períodos diferentes (2008 e 2014), resolvendo puzzles, batalhando contra inimigos armados e descobrindo a história do local e da protagonista.

Mudando livremente de linha do tempo
Mudando livremente de linha do tempo

Dada essa premissa e mecânicas, pessoalmente, vi muito potencial. Mas vou adiantar um pouco as conclusões e dizer que foram desperdiçadas. Poder “espiar” a outra linhas temporal antes de efetivamente teleportar-se é muito legal, mas essa habilidade é essencialmente usada apenas para desviar de obstáculos, como um caminho bloqueado por parede caída que está inteira no passado, ou para fugir dos inimigos e recuperar energia. Houveram apenas 2 puzzles do tipo “faça aquilo no passado para que isso ocorra no futuro”, e mesmo assim eram muito simples, talvez devido às excessivas dicas. Além disso, o jogo permite pegar objetos de uma linha temporal e levar para a outra, mas esse aspecto nunca é explorado.

Espiando através do tempo em Gemini: Heroes Reborn
Espiando através do tempo em Gemini: Heroes Reborn

O combate é dinâmico, mas ainda sem desafio. O jogo incentiva o uso dos poderes, podendo jogar inimigos contra armadilhas do cenário, arremessar objetos, capturar projéteis e atirar de volta, usar um inimigo como escudo humano… É divertido, mas sempre que a coisa fica complicada e a vida está baixa, basta viajar para o outro tempo (quado certamente não haverá hostilidade) e descansar. Mesmo contra o chefão final, bastou entender o padrão de ataques para neutralizá-lo sem esforço. Isso sem contar em inimigos bugados que ficam presos e até se matam em armadilhas.

Utilizando a própria munição contra os inimigos + bug de bônus
Utilizando a própria munição contra os inimigos + bug de bônus

Graficamente o jogo não surpreende. Os cenários externos são belos (o que é esperado quando usa-se a Unreal Engine), os ambientes internos em geral são demasiadamente simples e as animações dos personagens deixam um pouco evidente o baixo custo de produção do jogo. Além disso, existem bugs de gatilhos que não ativam uma cena ou o fim de uma fase por eu ter contornado um ponto no mapa ou por ter usado a linha do tempo “errada” para me locomover.

Por fim a história… Eu gostaria que ao menos desse quesito tivessem acertado, mas não foi o que ocorreu. Eu até entendo que várias definições não foram explicadas por fazerem parte do mundo do seriado Heroes, como a existência de pessoas super poderosas, mas havia espaço para uma construção narrativa mais complexa. No fim das contas, Gemini: Heroes Reborn tenta surpreender com 3 plot twits, sendo 2 deles o bom e velho paradoxo temporal: “Se você é salvo da morte pelo você do futuro, quem foi o primeiro a te salvar?”. O problema é que todos esses momentos são muito previsíveis de tão clichê que são.

O jogo não tem mais do que 5 ou 6 horas, sendo bastante cuidadoso para não perder os 30 coletáveis. Foi lançado para PC, Xbox One e PS4 e existe a prequela Heroes Reborn: Enigma, da mesma desenvolvedora de Gemini, para smartphones que segue outra personagem com os mesmos poderes e complementa a história.

Prós:

  • Viajar no tempo é divertido
  • É satisfatório parar balas e mísseis e devolvê-los

Contras:

  • Viagem no tempo mal explorada
  • Puzzles muito simples
  • Combate sem desafio
  • Gráficos não se destacam
  • Bugs de gatilhos a eventos
  • História clichê

Avaliação: Jogue quando tiver tempo.

Jairton "Jesjobom" Junior

Nerd desde antes do termo ficar popular. Jogador e defensor de PC, entusiasta de realidade virtual e consumidor de animes e mangás nas horas vagas.